História do Maverick


O Ford Maverick, surgiu nos EUA, em 1969, concebido para combater a invasão de europeus e japoneses no mercado americano, foi considerado o “anti-fusca”, como o modelo que tiraria compradores da Volkswagen.
No período em que o carro alemão foi planejado, suas vendas cresciam a passos largos, com vendas superiores a 300.000 unidades anuais, e em 1968 chegavam a quase meio milhão, era o início da invasão de carros baratos, de fácil manutenção e muito mais práticos no dia-a-dia. Foi nesse cenário que, em 17 de abril de 1969 surgiu o Ford Maverick.

A receita era simples: um carro compacto de manutenção simples e barata, fácil de manobrar. Com aparência inspirada no Mustang, pois a idéia era identificá-lo como um carro para a família, prático, moderno e econômico, com um leve toque esportivo. Em seu primeiro ano vendeu 579.000 unidades – quase 5.000 a mais que o Mustang em seu primeiro ano de vendas.

Na época no Brasil existiam dois modelos Ford, e claro dois modelos de sucesso, o bom e velho Corcel e o luxuoso Galaxie. Só que entre o popular e o luxuoso havia um espaço a ser preenchido. Esse espaço aparentemente estava ocupado pelo Aero-Willys e Itamaraty (versão luxuosa do Aero), que já estavam ficando ultrapassados e fora do estilo da época, sem contar os inúmeros problemas mecânicos deixando a desejar e abrindo uma brecha no mercado.

A briga por um mercado de populares de médio porte (confortáveis mais econômicos) estava começando.
A Chrysler desenvolvia o Dodge 1800 (Dodginho). A Volkswagen preparava um “fusca quadrado” que se chamaria Brasília, além de uma aposta alta no Passat, que em tese mudou o mercado nacional. Mais isso é outra história, que não me interessa. Pois se não for beberrão, para mim não vale nada.

A Ford preparou uma pesquisa que por sinal teve por resultado uma das ações mais estranhas da história do marketing automobilistico nacional. A Ford definiu seu público-alvo, e utilizando quatro veículos, todos brancos e sem qualquer identificação quanto ao nome e fabricante, sendo eles: um Opala, um Corcel, um Maverick norte-americano e um Ford Taunus europeu, tentou identificar qual seria sua meta de trabalho. A pesquisa elegeu o Taunus, e este traduzia os desejos de consumo daquele público acostumado com os padrões de conforto e economia dos veículos europeus.

Ótimo, mãos à obra e aos problemas. O Taunus exigiria um motor, que só seria possível em 1975, com a conclusão de uma outra fábrica. A suspensão traseira, independente, era bem mais moderna que a de eixo rígido do Aero/Itamaraty. A adaptação do Taunus ao nosso mercado começou a se mostrar inviável. O tempo era curto e a competição seria acirrada. A idéia era utilizar ao máximo os componentes do velho Aero. A pesquisa foi posta de lado e para surpresa dos profissionais de marketing e estratégia, a empresa optou por lançar o Maverick.

Os objetivos maiores da empresa falaram mais alto, que eram a urgência e economia de investimentos.
Começaram os problemas. Alguns motores de seis cilindros 3,0 litros do Aero-Willys “derreteram” em testes devido ao sistema de arrefecimento mal dimencionado e ineficiente. A lubrificação deu problema e foi necessário uma nova bomba de óleo com sentido trocado, ou seja, no bombeamento o óleo era sugado dos mancais para o cárter… Sanados os problemas, e com mais uma “passagem” externa de água para o sexto cilindro, lançaram o Maverick em junho de 1973, que por sinal era igual ao modelo americano de 1970.

Detalhe do interior do Maverick versão Luxo da década de 70

As versões lançadas foram a Super e Super Luxo. Logo apareceu a versão esportiva GT com motor V8 importado, de 4,95 litros, a qual saia de fábrica, com pintura metálica e direção hidráulica como únicos opcionais. Além das faixas pretas e o novo motor, tinha tantos (ou quase tantos) cromados quanto as outras versões. Tinha seus problemas: freios traseiros com tendência ao travamento das rodas e radiador subdimensionado para o clima tropical (padrão dos Maverick´s).

Nos testes no Brasil, o “capô do motor V8” chegava a abrir e era jogado de encontro ao “pára-brisa. Dai os GTs sairem com pequenas presilhas no capô. Apesar da baixa taxa de compressão do primeiro motor, 7,5:1, o desempenho era bastante bom para a época: aceleração de 0 a 100 km/h em 11,5 segundos e 178 km/h de velocidade máxima. Como comparação, o velho “seis bocas” chegava a gastar quase 30 segundos na aceleração e mal chegava na marca de 150 km/h. Ao final do mesmo ano chegava o Maverick de quatro portas, oferecendo mais espaço aos passageiros de trás por conta de entre-eixos mais longo, mas não agradou ao público.


Fase I – grafismo do painel traseiro do V8
Detalhe para a escrita FORD na lateral da lanterna esquerda

Fase II – grafismo do painel traseiro V8
A grafia FORD está na parte superior na tampa do porta-malas

Fase II – grafismo do painel traseiro GT4
Emblema FORD em escala maior do que a Fase I na lateral da lanterna esquerda

* “Como as coisas mudam. Hoje toda família quer ter carro 04 portas”

Resolvido o velho problema do radiador, o GT e as outras versões, equipadas opcionalmente com o V8, atingiram vendas significativas, o esportivo chegou a 2.000 unidades no primeiro ano e mais de 4.000 no segundo.

Os concorrentes não chegaram sequer perto em questão de vendas.
Na época eram o Opala 6cc (cú de burro) e os Dodge Dart e Charger RT, equipados com V8 308.

O Maverick “seis bocas” foi realmente o desatre, pois era mais pesado que o Opala e seu desempenho era próximo de qualquer quatro-cilindros. Mais vale ressaltar que o motor 06 cilindros era muito silencioso.

O V8 era a resposta aos concorrentes. Até chegar a crise do petróleo no final dos anos 70, uma ameaça ao bolso dos consumidores. Como o seis “bocas” bebia como um V8 e andava praticamente como um carro médio de quatro cilindros, o Maverick ganhou fama de Beberrão, e foi caindo em desgraça.
Com isso em 1979 depois de mais de 100.000 unidades vendidas o nosso lendário Maverick saia de linha para dar lugar a uma porcaria por nome de “Corcel II“.

Um pouco do Maverick SUPER

O Maverick Super é o modelo inicial da linha Maverick. Pode ser chamado de “Standard”, ou na linguagem popular modelo “pé-duro”.

Este modelo é bem básico, disponível na época para venda com os três tipos de motores sendo inicialmente oferecido até 1975 apenas com motores 6 e 8 cilindros.

Disponível das versões Cupê e Sedan. Como observação, o Maverick Sedan é cerca de 18cm maior do que a versão Cupê, o que proporciona um maior espaço interno para os passageiros especialmente para os que vão no banco traseiro. O seu teto também é mais alto. Porém na época teve pouca aceitação independente do motor e do modelo.

Na verdade, mesmo na versão Super, os modelos Sedan eram focados mais para o público executivo e de famílias digamos meio numerosas. Daí a preferência maior pelos modelos Cupê.

O Maverick Super é um modelo quase sem frisos cromados, tendo apenas o friso do capú que era padrão para todos os modelos. Não possui muitos detalhes de acabamento, embora você pudesse adquirir todos os demais detalhes opcionais.

Não possui friso no vão das rodas, friso da caixa de ar, friso da base do painel, friso da calha do teto e nem friso cromado do contorno das portas.

O modelo possui apenas um emblema no paralama com a palavra Maverick (emblema padrão do logotipo Maverick)

O revestimento dos bancos de encosto baixo eram feitos em curvim que duravam muito pouco e rasgavam com facilidade.

O console central e o rádio AM (Philco) eram oferecidos como opcionais, mais todos os modelos super 4cc já vinham com estes acessórios.

Praticamente não houve mudança nenhuma neste modelo durante toda a sua fabricação, tendo com única mudança de estética, com a chegada do motor 4cc em 1975, a pintura de dois frisos na lateral na altura do paralama.

Fonte: Maverick 73

  1. outubro 14, 2010 às 2:23 pm

    Santo Maveko! Esse é dos bons!

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